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sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

O Inverno das Fadas - Carolina Munhóz

Ano: 2012
Editora: Casa da Palavra - Selo Fantasy
Páginas: 304
Avaliação:


EXISTEM PESSOAS NORMAIS em nosso planeta. Homens e mulheres simples que nascem e morrem sem deixar uma marca muito grande ou mesmo significativa na humanidade. Mas existem outros que possuem talentos inexplicáveis. Um brilho próprio capaz de tocar gerações. Como eles conseguem ter esses dons? De onde vem a inspiração para criar trabalho maravilhosos? São cantores com vozes de anjos, artistas com mãos de criadores e escritores imortais. Existe uma explicação para isso. Sophia é uma Leanan Sídhe, uma fada-amante, considerada musa para humanos talentosos. Ela é capaz de seduzir e inspirar um homem a escrever um best-seller ou criar uma canção para se tornar um hit mundial. A fada dá o poder para que a pessoa se torne uma estrela, um verdadeiro ícone, ao mesmo tempo em que se aproveita da energia do escolhido para alimentar-se. Causando loucura. E MORTE..

Essa era pra ser a última resenha de 2012, mas acaba sendo a primeira de 2013 porque eu sou desorganizada, fim. E também porque, sendo desorganizada, eu terminei o livro na madrugada do dia 30 e não me organizei pra escrever e publicar esta no último dia do ano.
Bom, Inverno das Fadas.
Antes deixa eu voltar ao que eu disse na resenha de Fios de Prata (link aqui), porque se você não a leu (não te culpo, ficou enorme) cabe um resumo de algo que disse lá antes: apesar de ter lido Paulo Coelho, André Vianco e Augusto Cury, eu ainda tinha certo preconceito com autores nacionais. E Fios de Prata, sendo fantástico como é, quebrou meu preconceito.
Eis que no dia que fui pegar autógrafo do Draccon, ele não parava de falar da Carolina Munhóz, cujo livro eu só tinha visto de passagens nas livrarias da vida, (daí só descobri que eles são casados por causa do programa da Fátima Bernardes, disfarça) e já que eu tinha gostado tanto do livro do cara, resolvi ler Inverno só porque ele tinha indicado.
Aí tinha um outro preconceito. Nunca fui muito fã de fadas. Falava em fadas eu ia pensar em Sininho, miudinha, asinhas, ou nas fadinhas de Harry Potter, que parecem mini insetos (vide decorações de Natal e do Baile de Inverno).
Claaaaaaro que a fada da Carolina é bem diferente.
A Sophia é uma fada cujas energias são recarregadas de um modo bem particular. Ela é uma Leanan Sídhe, uma "fada amante" - uma fada lindíssima cuja presença inspira e ilumina seus amantes humanos... por um período bem curto. Ao passo que a presença dela fornece inspiração (como uma das musas gregas, sabe?) para artistas iluminados criarem masterpieces, a fada se alimenta da energia sexual e artística desse humano. Essa adoração que eles desenvolvem por ela acaba dominando a vida do humano. Quando a Leanan Sídhe está "recarregada", depois de drenar o pobre apaixonado ele invariavelmente enlouquece e acaba com a própria vida pra não viver sem ela.
Aí começa a coisa legal. Quantos artistas a gente vê que morrem jovens depois de criarem um legado eterno? Teriam essas obras sido inspiradas por uma Leanan Sídhe que os levou ao abismo depois de se alimentar deles? Teriam os grandes ícones da música, da literatura, do cinema sido vítimas das tendências vampíricas de uma fada?
Na história da Sophia a resposta é sim. A partir do prólogo, você começa a reconhecer figuras bem populares cujas mortes foram inclusive muito comentadas, por serem estranhas e misteriosas. Um dia, o artista está no auge. De repente, ele parece dominado pela depressão ou pelas drogas e mais dia, menos dia, aparece morto. Familiar?
Infelizmente ou felizmente, não decidi ainda, você dificilmente vai reconhecer os nomes de cara, porque ela não se refere a essas figuras públicas pelos nomes (Santo Google tava aí pra confirmar minhas suspeitas cada vez que uma nova "vítima" aparecia). Só pra exemplificar, sem spoilers, comenta-se no livro sobre um astro do rock que deu um tiro na cabeça, uma cantora de voz lindíssima que gostava  demais de encher a cara e até um certo rei da música de talento insuperável. Confesso que me diverti catando as referências pelo texto.
O ponto principal da história é que Sophia aborda uma nova vítima, um escritor genial que tem tudo para virar um fenômeno mundial, e Sophia quer se alimentar dessa energia poderosa que ele tem. Ao se aproximar do artista no entanto, ela percebe que tem algo de diferente nele. E se apaixona.
Mas se apaixonar, para uma Leanan, é uma desgraça, porque o destino de todos os seus relacionamentos é o mesmo, ela suga as energias do parceiro até a morte, não tem escapatória. E ela não quer esse destino para William Bass.
Então começa o dilema da fada. Ficar com William até sua morte e suicidar-se? Ou deixa-lo agora e permitir que ele tenha uma vida comum?
Sofri bastante com a Sophia. No começo, vou te dizer, ela é bem mesquinha. A única lembrança que ela realmente guarda de todos os seus relacionamentos são marcas negras na pele, que ela considera punições, não que ela dê muita atenção. Ela fazo que tem de fazer para sobreviver, é só o que ela pensa. A paixão faz dela realmente uma pessoa melhor, e a partir do momento em que ela sofre um ataque de ciúmes ao perceber, telepaticamente, que William está com uma "amiguinha", comecei a morrer de pena dela.
Isso é algo que acontece muito em livros que acaba me conquistando: dilema insolúvel. Lembrei agora que senti isso lendo a série "a mediadora". É o tipo do dilema que não tem solução e você se apega com a personagem por puro desespero.
Pelo pensamento "Como ela sai dessa??"
A escrita da Carolina é bem leve pra um livro tão sofrido. Não sei bem como explicar, mas essa leveza no começo me deu uma sensação de "bah, nem me impressiona", e quando me dei conta, eu estava completamente envolvida pela mesma leveza - nem percebi quando me apaixonei pela Sophia como todo mundo na história.
Aliás, é interessante frisar que no começo, a personagem da Sophia é altamente sexualizada. Ela se alimenta de energia sexual e sua vida é assim e pronto - é a visão que ela tem e que ela passa. Mas conforme a história se desenvolve, fui deixando de ver a Sophia como uma fada malvada (ME RECUSO a fazer o trocadilho padrão) e a vi mais como gente, uma pessoa com sentimentos, uma mulher apaixonada como outra qualquer, exceto que ela estava irremediavelmente condenada.
Tem outras coisas maravilhosas no livro e eu adoraria comentar o final que me manteve acordada até as 3 da manhã me desmanchando em lágrimas e cheia de adrenalina,e adoraria comentar uma personagem levemente secundária que eu amei (a Banshee, de quem eu me compadeci e compreendi muito), mas é impossível tecer tais comentários sem efetivamente contar o livro e não quero estragar a surpresa de ninguém.
Por isso leiam! Pra eu poder comentar o final, gente!
Aliás, porque o livro perde um pouco de ponto comigo: por causa do final. Eu gostei (como já mencionei me acabei de chorar, PQP esses autores que me causam esses sentimentos todos) mas fiquei insatisfeita. Achei que algumas coisas não ficaram 100% e GENTE cadê a sequencia? Dona Carolina, sério, escreve mais sobre a Sophia. Aliás, tem mais 3 estações pras fadas aí!
Não, falando sério, eu totalmente acredito que o livro poderia ter um final mais estendido, porque algumas coisas ficaram meio no ar pra mim. E porque não, essas coisas dariam uma sequencia. E eu leria totalmente. Mas não posso comentar mais que isso que tem spoiler querendo sair do meu coração.
Aliás, pra quem não sabe, foi até por isso que criei o blog: pra esses momentos quando termino um livro e não consigo calar a boca sobre ele, que é o que está acontecendo com Inverno.
Enfim. Em resumo, minha unica insatisfação é que eu quero mais da história agora.
Mas eu super recomendo, achei o livro maravilhoso, perdi o preconceito com fadas também e quero muito ver uma sequencia.
Agora chega. Vão ler o livro e depois se unam a mim nas atuais cascatas de elogios que eu fico tecendo aos autores nacionais ultimamente.
E que as fadas iluminem a Carolina!
(E você que está lendo o blog também :D )

3 comentários:

Caleb Henrique disse...

Primeiramente: Deusdocéu... QUE SINOPSE!
Estou completamente embasbacado com o fato de eu nunca ter parado para ler a sinopse deste livro antes, ainda mais tendo o visto antes do lançamento e ajudado a optar pela capa (numa votação via facebook). Enfim, não ler sinopses é o meu normal, então não me culpo tanto assim (ou culpo), mas O Inverno das Fadas parece ser uma obra estupendamente incrível.
E, por Deus, Pri... que resenha apaixonada (sim, isto é um elogio) essa sua. Deu para sentir um pouco do que você sentiu enquanto lia - me fez querer ainda mais o livro, o que é uma maldade quando se tem em vista que eu não posso comprar muitos livros em 2013. Enfim, olha eu tagarelando aqui como sempre, tsc.

Abacaxi!

Ah! A propósito, obrigado pelo enfático "ME RECUSO (...)" que mesmo não tendo evitado o inevitável - pois eu pensei na mesma colocação enquanto ainda lia sinopse - me fez sorrir em frente à tela.

E como há braços, abraços.
Caleb Henrique - Viajante Literário

Gih Figueiredo disse...

UAU! Que resenha foi essa Priscila Boltão???? Como você faz isso comigo???? Me deixa curiosa assim por causa de um livro?????
Eu também não sou muito fã de fadas não, mas agora que vi alguém que sentia o mesmo se apaixonar tanto por um livro que aborda tal tema estou LOUCA para ler Inverno das Fadas!
Já conhecia a Carolina Munhóz por ela ser parceira de alguns blogs parceiros meus, mas, apesar das capas lindas de seus livros, não havia me interessado muito por suas obras. OMG, agora NECESSITO ler este livro.
Culpa sua Pri, por fazer uma resenha tão maravilhosa assim u.u
kkkk
:)
Beijocas!

Gih Figueiredo
http://gihfigueiredo.blogspot.com.br/

Retribui a visita? *-*

Jéssica Almeida disse...

Primeiro, eu não acredito que Inverno das Fadas é de um autor nacional! (E cara, não me julgue, eu fiquei tão encantada pela capa que esqueci de ler o nome do autor!).
Pri, você precisa, urgentemente, parar de fazer resenhas tão maravilhosas. Você é uma das blogueiras responsáveis por me levar a falência indicando livros tão perfeitos. Só a sinopse desse, me tirou o fôlego e a sua resenha, aliada a opinião do Draccon (suspirando loucamente, ignore) foram o suficiente para e convencerem de que eu PRECISO ler esse livro. Só isso.
Ufa.
Enfim, resenha mara. Porque se o seu objetivo era me deixar curiosa, parabéns! Você conseguiu - só pra constar, de novo¬¬
Bunny eu te indiquei pra responder um selinho, se tiver a fim. Se não tiver ignore meu link e continue resenhando e contribuindo para a minha falência financeira. Já está ótimo hahaha
http://estoriasdacarter.blogspot.com.br/2013/03/selinho-leia-sempre.html
Beeijoo

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